segunda-feira, 17 de março de 2008

Retrocesso!

O resultado das eleições gerais espanholas, realizadas no último dia 09 de março, na qual foi confirmada a reeleição do então Presidente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE),e atual Presidente da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero,trouxe à tona o debate sobre a política imigratória adotada pelos países de primeiro mundo.É verdade que a crise econômica aliada aos elevados índices de desemprego existentes no atual momento político espanhol devem ser debatidos e trazidos às raias daquele certame eleitoral, todavia, as declarações do então candidato conservador, Mariano Rajoy,e sua afirmação sobre a necessidade de um "CONTRATO DE INTEGRAÇÃO" pactuado por todos os imigrantes que alí chegam,remete o pensamento do representante do Partido Popular a um estreito vínculo preconceituoso e xenofóbico, de prática recorrente nos últimos anos no continente europeu.


A adoção do denominado "contrato de integração" trata-se de um retrocesso ideológico, reflexo imediato de um despreparo político e da ligeira afronta aos princípios do Direito Internacional de construção de uma sociedade fraterna e pluralista, comprometida na ordem internacional com o combate ao racismo e ao anti-semitismo, heranças macabras do terceiro reich germânico.As principais obrigações advindas do contrato forçado seriam o cumprimento da legislação espanhola, o aprendizado da língua e o respeito aos costumes locais.


Em um passado recente, mais precisamente no segundo semestre de 2005,o atual Presidente neoliberal francês, Nicolas Sarkozy, à época Ministro do Interior da França, foi o protagonista político de uma série de acusações que denunciavam, desde sua ligação a grupos de extrema direita de remanescência neonazista até a adoção de uma política de segregação para com os grupos de imigrantes africanos de países ex-colônias do antigo império francês,das quais culminaram numa série de protestos violentos que se iniciaram nos subúrbios da capital Paris e se alastraram por avenidas e universidades da cidade luz.


Nem a população dos países ricos, quiçá seus imigrantes,ilegais ou não, podem ser responsabilizados pelos sucessivos fracassos da política econômica e social de seus governantes.Atribuir esse fracasso ao povo,seja nacional ou estrangeiro,sob o argumento de desequilíbrio nas contas públicas ou no aumento dos índices de violência e desemprego é camuflar a incompetência administrativa e transferir responsabilidades para quem é, de fato e de direito, vítima de um sistema deficiente.


Fredson Rodrigues.:


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